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GRAVIDADE   12/01/2018

Quanto vale o apoio do presidente mais rejeitado desde a redemocratização do país? Pois essa parece hoje uma oferta plausível a Geraldo Alckmin, provável candidato do PSDB ao Planalto.

O governador de São Paulo foi alvo de elogios significativos, dadas as circunstâncias, de Michel Temer (MDB) — que, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", também tratou com o devido ceticismo hipotéticas candidaturas de seu quintal brasiliense.

O ministro Henrique Meirelles (PSD), ponderou, tem mais a contribuir no comando da Fazenda; Rodrigo Maia (DEM-RJ) está testando seu potencial, mas há de trabalhar para se manter na presidência da Câmara dos Deputados.

Ou, em português menos sutil, nenhum deles dispõe de intenções de voto ou perspectivas realistas de crescimento nas pesquisas para alimentar tamanha ambição.

À medida que se aproxima o pleito, pretensões pessoais e devaneios partidários naturalmente dão lugar a cálculos mais pragmáticos.

A tese de que o governo terá candidato próprio, cara a Meirelles, perde credibilidade. Ministros e aliados dão a entender que consideram alguma aliança com um postulante disposto a defender a política econômica e as reformas.

Quanto a Alckmin, seu cuidado em manter distância de Temer data de antes do impeachment de Dilma Rousseff (PT). Advogou que o PSDB não participasse da administração; pouco se envolveu com os projetos polêmicos e nada com a defesa do mandato do emedebista.

Não é tarefa simples, portanto, retribuir os acenos de simpatia do presidente — cuja taxa de rejeição oscilou de 73% para 71% nos últimos três meses, igualando-se à do pior momento de sua antecessora.

No melhor cenário para o tucano, as forças ao centro do espectro político, diante da escassez de opções viáveis, convergiriam de maneira natural para sua candidatura. Por gravidade, como se diz.

Ademais, bastaria ao discreto governador personificar "segurança e serenidade" —palavras de Temer— para conquistar o eleitorado refratário a turbulências à esquerda e à direita. A esperada recuperação da economia, por esse raciocínio, fortaleceria nomes mais conservadores e previsíveis.

A realidade, claro, impõe consideráveis senões a esses cálculos. O mais singelo deles é que Alckmin ostenta índices magros nas sondagens presidenciais, sem chegar a 10% nos cenários que incluem o petista Luiz Inácio Lula da Silva.

A manter tal desempenho, terá dificuldade até para mobilizar o próprio partido, e um acerto com o MDB e seu precioso tempo de propaganda na TV não se dará sem custos. Se quer apoios por gravidade, o tucano precisará demonstrar capacidade de sair do chão. editoriais@grupofolha.com.br 


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