24 de maio, 2022

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Manifesto das marcas locais pretende mudar a dinâmica comercial do varejo

Stéphane Engelhard, do Carrefour

Uma nova atitude, em um mundo que não admite mais as mesmas posturas do passado. É com esse espírito de página a ser virada que algumas empresas do setor varejista lançaram, em março, o “Manifesto das Marcas Locais”. A missão dada é clara: impulsionar a presença de produtos regionais e locais sustentáveis nas gôndolas dos supermercados.

A iniciativa foi idealizada pela startup Local.e, que tem no seu DNA esse trabalho de aproximação das marcas locais com os grandes varejistas. Um dos objetivos do projeto é fazer com que o varejo comece a olhar para as marcas locais como um diferencial e realmente dê oportunidade a elas.

“O manifesto é uma forma de a gente começar a mudar o varejo”, afirma Leila Okumura, co-fundadora da Local.e. Para isso, a carta de intenções do Manifesto inclui três diretivas: maior abertura dos setores de compras às marcas locais; flexibilização comercial dos grandes varejistas; e monitoramento da efetividade das negociações.

“Prezamos o que é delicioso (e nada menos que isso). Apreciamos o que é autêntico, cheio de capricho, pontuado em qualidade e capaz de gerar significado”, diz o texto do documento, que mostra grandes varejistas dispostos a rever os seus processos internos de compra olhando para a realidade das marcas locais. Assinaram o Manifesto: Carrefour, Grupo Pão de Açúcar, St. Marché, Quitanda, Mundo Verde, Raízs e mais 96 pequenas marcas.

A ideia é aproximar o time de compras dos supermercados e os representantes das marcas locais, para aumentar o cadastramento de novos produtos. As redes devem também flexibilizar suas práticas comerciais, considerando a realidade das pequenas empresas, e monitorar anualmente o percentual de marcas locais que foram incorporadas ao mix de produtos das lojas.

“Além de dar mais abertura para essas marcas, o Manifesto ajuda a entender que elas são pequenas e que não dá para cobrar altas taxas delas”, observa Leila. Segundo ela, são muito poucos os varejistas que já olham de maneira diferenciada para o pequeno. “Eles estão muito acostumados com a dinâmica da grande indústria, de grandes valores e quantidades, e ainda não veem o valor estratégico de trabalhar produtos inovadores, mais autênticos e com propósito”, diz.

 

Do lado das marcas locais, a adesão ao movimento significa aceitar os princípios de governança; comunidade; meio ambiente; e qualidade e saudabilidade.

Daniel Martinez, da Quitanda

Por meio de políticas e práticas relacionadas à ética, responsabilidade corporativa e transparência, os produtores locais precisam se comprometer com a implantação de níveis de governança em suas empresas, que devem contribuir para o bem-estar socioeconômico das comunidades, parceiros e colaboradores e trabalhar para melhorar a gestão ambiental e o impacto do seu negócio no planeta. A marca ainda deve trazer para o mercado produtos de qualidade, de preferência com ingredientes saudáveis.

“Resgatamos o que há de mais humano no mercado: o olho no olho, o trabalho com propósito, a qualidade, o cuidado, o frescor da diversidade e o comércio justo”, afirma o manifesto.

“Trabalhar com as grandes redes não é simples. Do nosso lado, exige muito investimento para atendê-los, além de uma logística dedicada e a parte de promotoria que, para nós, que temos pouco orçamento, acaba sendo bem desafiador”, define Leeward Wang, sócio-fundador da empresa de bebidas com ingredientes naturais Kiro.

 

Wang entende que também não é fácil para os varejistas criar caminhos para as marcas locais, mas aposta no movimento para que surjam melhores condições para trabalhar com elas. Segundo ele, o trabalho em rede que a Local.e faz é muito importante para tentar se destacar no supermercado, se tornar diferenciais para essas redes e contribuir para uma cadeia de valor relevante para o país, em termos econômicos e culturais.

 

Cuidado e pertencimento

“O Manifesto é muito importante para que possamos alinhar o nosso discurso, muitas vezes construído em ambiente digital, com as nossas ações no mundo real”, afirma Daniel Martinez, gerente comercial da Quitanda, que abraçou integralmente a iniciativa. Segundo ele, a ação reflete um sentimento pós-pandêmico de cuidado e pertencimento à coletividade e deve se espalhar para empresas de outros segmentos varejistas, como restaurantes e padarias.

Martinez ressalta que a Quitanda tem o apoio aos produtores locais e de pequeno porte como um dos seus pilares de negócios. “Atualmente nos relacionamos com mais de 160 fornecedores ativos e contamos com mais de 900 itens cadastrados em nosso portfólio de produtos oriundos de pequenos produtores”, revela.

Ao lado da campanha #OFuturoÉLocal, que destaca a relação humana dos fornecedores com seus produtos, a Quitanda está oferecendo alguns benefícios exclusivos para exposição das marcas locais, como precificador colorido na gôndola, alta exposição na vitrine temática da loja e no e-commerce, além de post no feed das redes sociais. “Como uma empresa comercial e associada a outras empresas de apoio ao desenvolvimento de negócios locais, buscamos a construção de ambiente melhor, para toda a comunidade”, finaliza Martinez.

 

Compromisso global, olhar regional

O Grupo Carrefour Brasil também assinou o Manifesto. Com a adesão ao movimento, a rede se mostra disposta a reforçar seu compromisso global de liderar a transição alimentar nos países em que está presente e posicionar-se como o maior ecossistema do varejo alimentar do Brasil a valorizar as regionalidades do país.

O Grupo já atua nesse sentido por meio do programa Act for Food, que tem como principal objetivo “facilitar o acesso a alimentos saudáveis, sustentáveis e a preços acessíveis, promovendo, ao mesmo tempo, as características regionais de cada estado ou país”.

A companhia também já vinha trabalhando junto com a Local.e. “O Grupo Carrefour sempre acreditou e apoiou os produtores locais. Entendemos que valorizar a produção dessas pessoas fortalece a economia e as famílias das diferentes regiões do país, além de contribuir para um consumo mais sustentável. Por isso, nos últimos anos ampliamos a participação desses produtos em nossos negócios”, diz Stéphane Engelhard, vice-presidente de Relações Institucionais do Carrefour Brasil.

Para promover a ideia, o movimento criou o site https://www.apoiemarcaslocais.com.br/.

 

A Local.e também tem uma parceria com o Sincovaga, a campanha Colaborar para Fortalecer, para aproximar marcas locais, pequenas indústrias e o varejo de alimentos: https://www.colaborarparafortalecer.com.br/

 

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