26 de fevereiro, 2024

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Custo de vida avança na RMSP influenciado pelos preços de alimentos e transportes

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), apurado mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), atingiu 0,48%, em dezembro, na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Com esse resultado, o CVCS acelera em relação ao 0,33%, observado no mês anterior, encerrando 2023 com alta acumulada de 3,83% — abaixo, portanto, do registrado no ano anterior, quando o indicador encerrou 2022 em 6,3%.
No mês de dezembro, os preços de alimentação e transportes foram os que mais influenciaram o resultado. Contudo, o aumento foi generalizado, já que oito dos nove grupos pesquisados apresentaram alta. Os custos relacionados a alimentos e bebidas subiram 0,68%, acumulando aumento de 2,37% no ano. No caso dos transportes, a elevação, no período, foi de 0,48%, e nos últimos 12 meses, de 5,93%.

Na avaliação da FecomercioSP, apesar da melhora observada no cenário de inflação ao longo do ano passado, é preocupante o fato de os custos seguirem elevados, sobretudo no setor de transportes, uma vez que isso impacta todos os outros segmentos econômicos. Além disso, alimentos e transportes têm uma significativa influência no orçamento das classes menos favorecidas, o que torna as variações desses grupos mais desafiadoras para essas famílias.

Dentre os alimentos, a alta ficou mais concentrada no varejo (0,9%), influenciado pelas elevações em itens de hortifrúti, como a batata-inglesa (16,6%), a laranja (15,4%) e o tomate (8,88%). Além disso, o encarecimento do feijão-carioca (11,7%) também contribuiu para o resultado. Nos Serviços, os preços subiram 0,4%, puxados pelos aumentos nas refeições fora de domicílio (0,58%), no café da manhã (0,58%) e nos lanches (0,94%).

Já no caso dos transportes, as maiores variações foram observadas no setor de Serviços, com os aumentos das passagens de trem e metrô (6,9%), dos bilhetes aéreos (6,3%) e dos gastos com veículo próprio, como seguro (2%) e emplacamento e licença (1,9%), além de manutenções e consertos (1,2%). Por outro lado, as quedas nas passagens de ônibus urbano (-4,2%) e nos preços dos estacionamentos (-1,2%), do etanol (-0,92%) e do óleo diesel (-0,79%), observadas no varejo, ajudaram a controlar o aumento geral do grupo. Ao se comparar o impacto desse aumento entre as classes sociais, fica claro que as famílias de menor renda foram as mais afetadas pela elevação. De acordo com o levantamento, a alta acumulada no ano para as classes D e E chegou a 9,18% e 7,34%, respectivamente. Já para as classes A e B, as variações foram de 5,77% e 4,64%, respectivamente.

Os preços dos produtos e serviços ligados à saúde e aos cuidados pessoais também apontaram elevação significativa no décimo segundo mês de 2023. A alta foi de 0,64%. Frente a isso, apresentou a segunda maior variação acumulada em 12 meses (6,46%). Os produtos farmacêuticos e ópticos subiram 0,2%, enquanto os itens de higiene pessoal,1,1%. Também houve aumento nos serviços laboratoriais e hospitalares (1,2%), psicológicos (1,3%) e no plano de saúde (0,8%). Entretando, diferentemente do que ocorreu com os transportes, o encarecimento do grupo de saúde e cuidados pessoais foi ligeiramente maior para as famílias de renda mais alta. Para as classes A e B, a variação mensal foi de 0,61% e 0,75%, respectivamente. Já para as classes D e E, o aumento foi de 0,56% e 0,51%, respectivamente.

Por fim, os custos ligados aos artigos de residência subiram 0,76%. Ainda assim, encerraram o ano com variação negativa (-2,32%). De todos os grupos analisados na pesquisa, somente comunicação apresentou estabilidade. De forma geral, no ano passado, as famílias com mais poder aquisitivo sofreram maior variação no custo de vida: 4,71% (para a classe A) e 4,12% (para a classe B). Já entre as de menor renda, as variações foram de 2,48% (classe E) e de 3,17% (classe D). Isso aconteceu porque a distribuição de despesas é mais concentrada em grupos de alta representatividade para as classes de menor poder aquisitivo.

Índice de Preços no Varejo (IPV)

O IPV subiu 0,46%, encerrando 2023 com alta acumulada de 1,65%. Em 2022, o indicador acumulava 7,08% no ano. Dentre os oito grupos que compõem o índice, dois encerraram dezembro com decréscimo nas variações médias: transportes (-0,10%) e despesas pessoais (-0,02%). A contribuição que mais corroborou para a alta do resultado também foi do grupo alimentação e bebidas (0,90%). O acumulado em 2023 é de 1,26%.

Para as classes D e E, as variações mensais foram, respectivamente, 0,61% e 0,59%. Já para as classes A e B, foram de 0,29% e 0,34%, respectivamente.

Índice de Preços nos Serviços (IPS)

O IPS variou 0,51%, acumulando alta de 6,18%. Em 2022, o indicador encerrou o ano em 5,44%. Artigos de residência (-0,17%) foi o único grupo a apresentar queda. Já a contribuição que mais corroborou para o avanço do resultado foi também do grupo transportes (1,50%) — em 2023, o setor acumulou, no ano, alta de 10,42%.

Para as classes D e A, as variações mensais foram igualmente de 0,56%. Já para as classes B, C e E, de 0,48%, 0,50% e 0,53%, respectivamente.

Nota metodológica

CVCS

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.
https://www.fecomercio.com.br/

 

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