20 de julho, 2024

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Disparidades salariais não se limitam a questões de gênero

A Lei nº 14.611/2023, conhecida como Lei da Igualdade Salarial, é o mais recente instrumento criado contra a desigualdade de gênero no Brasil. A norma indica os preceitos para as empresas com cem ou mais empregados, quanto à igualdade de remuneração entre homens e mulheres.

As companhias que estiverem nessa categoria terão de elaborar e divulgar relatórios semestrais de transparência salarial, com o objetivo de identificar e corrigir discrepâncias salariais entre gêneros.

A lei, como esperado, suscitou inúmeros debates, entre eles que a disparidade salarial entre homens e mulheres não se limita apenas a uma questão de gênero.

Para Marisa Salgado, Consultora de Desenvolvimento da MS Consulting, palestrante, conselheira e mentora de carreira, embora a disparidade salarial de gênero tenha recebido muita atenção nos últimos anos, existem diversas outras dimensões de diversidade que podem contribuir para disparidades salariais dentro de uma organização.

 

“Em termos de etnia e raça, podemos dizer que as pessoas de diferentes origens étnicas e raciais muitas vezes enfrentam disparidades salariais. Estudos têm demonstrado que, em muitas regiões, indivíduos de minorias étnicas ou raciais podem receber salários mais baixos do que seus colegas de origens étnicas ou raciais dominantes, mesmo quando outros fatores como educação e experiência são controlados”, diz a especialista.

 

A idade também pode ser um fator contribuinte para as disparidades salariais. “Funcionários mais jovens podem receber salários mais baixos do que seus colegas mais velhos, mesmo que tenham qualificações e experiência semelhantes. Além disso, práticas como a discriminação por idade podem afetar os salários de trabalhadores mais velhos.”

Na avaliação de Marisa, mesmo dentro de grupos demográficos semelhantes, as disparidades salariais também podem surgir com base em diferenças na educação e na experiência profissional. “Pessoas com níveis mais altos de educação ou experiência relevante geralmente têm maior probabilidade de receber salários mais altos”, avalia.

Os salários podem variar significativamente dependendo até mesmo da localização geográfica da empresa, segundo a consultora. “As disparidades salariais podem existir entre regiões metropolitanas e áreas rurais, bem como entre países ou estados, devido a diferenças nos custos de vida e na demanda por determinadas habilidades.”

 

“Os setores industriais podem ter padrões salariais diferentes. Alguns setores, como tecnologia e finanças, tendem a oferecer salários mais altos em comparação com setores como varejo ou serviços”, exemplifica.

 

Portanto, ao abordar as disparidades salariais, as empresas devem adotar uma abordagem ampla e considerar uma variedade de fatores além do gênero. “Isso requer uma análise cuidadosa dos dados salariais para identificar onde as disparidades existem e implementar estratégias para promover a equidade salarial em todas as dimensões da diversidade”, completa a consultora.

 

Thais Abrahão – Presstalk Comunicação

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