22 de julho, 2024

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Endividamento volta a crescer e atinge 78,5% das famílias em abril, diz CNC

Foto: drobotdean - br.freepik.com

O endividamento das famílias brasileiras aumentou pelo segundo mês seguido, atingindo 78,5% em abril, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O volume de pessoas que carregam dívidas está 0,2 ponto percentual mais alta do que em abril do ano passado.

Para a CNC, um dos fatores que explicam a alta no endividamento é a maior demanda por crédito gerada pela queda da taxa de juros. “As projeções da Confederação indicam que o endividamento deve continuar em ascensão, o que exigirá maior atenção ao risco de aumento da inadimplência, especialmente no fim do ano”, afirma José Roberto Tadros, presidente da CNC.

A inadimplência se manteve estável em 28,6% da população, porém o número de consumidores que afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas vencidas foi o maior no ano, chegando a 12,1% dos entrevistados.

Esse aumento na dificuldade de pagamento foi acompanhado pelo crescimento de 0,4 ponto percentual na parcela de famílias consideradas “muito endividadas”, que atingiu 17,2%, maior patamar desde janeiro.

ENTRE OS MAIS POBRES

Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da CNC, a população de renda menor foi a principal responsável pelo aumento do endividamento geral, embora tenha havido incremento também nas demais categorias.

As famílias com renda até 3 salários mínimos tiveram avanço de 0,7 ponto percentual no endividamento, chegando a 80,4% do total.

Para aqueles com renda entre 3 e 5 salários, o crescimento foi de 0,4 ponto percentual, levando a 79,7%.

As famílias com renda entre 5 e 10 salários tiveram aumento de 0,5 ponto percentual, atingindo 75,5% de endividamento.

Por fim, aquelas com mais de 10 salários foram as que menos aumentaram seu nível de endividamento: 0,3 ponto percentual, elevando o indicador a 71,7%.

Em relação ao mesmo mês do ano passado, as famílias com renda abaixo de 5 salários mínimos estão mais endividadas, enquanto as classes mais altas (as que recebem entre 5 e 10 salários mínimos e acima de 10 salários) reduziram seu endividamento.

A diminuição mais expressiva foi no grupo dos mais ricos, que recebem acima de 10 salários – a queda foi de 75,3% para 71,7%.

“O aumento do endividamento sugere uma melhoria das condições de renda das famílias mais pobres”, aponta Felipe Tavares. O economista-chefe destaca, no entanto, que é importante que os consumidores busquem educação financeira para evitar a inadimplência.

INADIMPLÊNCIA

No que diz respeito às dívidas em atraso, as classes de maior renda apresentaram aumento da inadimplência.

As famílias com renda entre 5 e 10 salários experimentaram um aumento no nível de inadimplência de 20,7%, em março, para 22,2%, em abril.

Entre as famílias que recebem mais de 10 salários, o indicador passou de 14,3% para 14,6% na variação mensal.

Por outro lado, a população com renda mais baixa registrou redução na inadimplência, que variou de 36,4% em março para 35,8% em abril. Em abril de 2023 a taxa para esse grupo estava em 36,3%.

TIPO DE DÍVIDA

O cartão de crédito permanece como a principal fonte de endividamento, sendo responsável por 87,1% das dívidas. Por outro lado, carnês e cheque especial continuaram perdendo representatividade na carteira de crédito dos consumidores.

O financiamento imobiliário apresentou o maior crescimento anual, resultado da redução dos juros médios da modalidade, que atingiram o menor patamar desde fevereiro de 2022, com 8,87% em fevereiro de 2024.

LOCALIDADES

O Paraná foi o Estado com o maior nível de endividamento, atingindo 90,3% no mês. Em relação à inadimplência, o Rio Grande do Norte destacou-se como o Estado com o maior percentual de famílias com contas em atraso (55,9%). O Amazonas apresentou o maior número de famílias incapazes de pagar suas dívidas atrasadas, com 21,7%.

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