21 de julho, 2024

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FecomercioSP: faturamento do turismo avança e alcança melhor número para um primeiro trimestre em cinco anos

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Apesar do resultado trimestral, há sinais de desaceleração em virtude da redução dos preços, sobretudo no aéreo, segmento fundamental para o setor

O Turismo brasileiro faturou R$ 48,2 bilhões nos primeiros três meses do ano e registrou o melhor desempenho para um primeiro trimestre desde 2019. Os dados são da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve alta de 1,9% — R$ 902 milhões a mais em termos monetários.

De acordo com o Conselho de Turismo da Entidade, algumas circunstâncias podem ajudar a explicar o resultado, como a alta temporada de lazer, durante as férias no início do ano e o carnaval. Somada a essa conjuntura, houve também melhorias nas condições econômicas, com mais empregos e renda disponível para as famílias viajarem mais. As atividades que apontaram o maior crescimento no período foram: locação de meios de transporte (12,3%), alimentação (7,8%) e meios de hospedagem (6,4%). Na sequência, atividades culturais, recreativas e esportivas (5,3%), outros tipos de transporte aquaviário (2,4%) e transporte aéreo (2,2%), que obteve o maior faturamento (R$ 12,1 bilhões).

Por outro lado, transporte rodoviário de passageiros (-12,4%) e agências de viagens e operadoras de turismo (-1,1%) faturaram menos em relação ao observado nos primeiros três meses do ano passado.

Resultados de março sinalizam desaceleração

Apesar do avanço trimestral, já há sinais de uma desaceleração no crescimento do setor — não por falta de demanda, mas em razão da redução dos preços. Quando analisado somente o dado de março, por exemplo, nota-se que o turismo avançou apenas 0,4%. Além disso, a maioria dos setores sofreu retrações, com destaque para o transporte rodoviário de passageiros, que apresentou decréscimo anual de 13,6%, em decorrência da forte base de comparação e da redução das passagens.

O segmento aéreo, que tem o maior peso para o setor, também apresentou variação negativa (a primeira em três anos). A diminuição do valor médio dos bilhetes interferiu no faturamento, retraindo 2,2%. O valor das passagens acumula queda de 6,84% nos último 12 meses, enquanto o volume de passageiros permanece em alta, conforme dados da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac).

Outros decréscimos foram observados nos segmentos de outros tipos de transporte aquaviário (-6%), agências e operadores de viagens (-1,9%) e atividades culturais, recreativas e esportivas (-0,5%). Na contramão desses grupos, alojamento e alimentação registraram aumentos de 17% e 8,3%, respectivamente.

A despeito da sinalização de arrefecimento no faturamento do Turismo nos próximos meses, a FecomercioSP acredita que os investimentos realizados nos meios de hospedagens e na malha aérea podem contribuir para aumentar a oferta a médio e longo prazos. Isso possibilitará um avanço no volume e uma influência positiva, mais adiante, no faturamento.

 

TOCANTINS LIDERA ALTAS

O primeiro trimestre terminou animador para os Estados de Tocantins (TO) e Acre (AC). Ambos apresentaram as maiores variações no período entre as 27 unidades federativas. No primeiro, a alta foi de 11,8%, e no segundo, de 10,6%. Em terceiro lugar, o Distrito Federal, com elevação de 7,7%.

Por outro lado, São Paulo (SP) apontou leve queda de 0,5%, influenciado pelo desempenho negativo dos transportes — importante fator para o turismo da região. Mato Grosso (MT) e Mato Grosso do Sul (MS) sofreram quedas respectivas de 4,2% e 3,5%. Em março, Tocantins seguiu liderando, com crescimento de 22,7%. Na sequência, Minas Gerais (MG), com 7%, e Bahia (BA), com 5,4%. No sentido inverso, Mato Grosso do Sul liderou as quedas, com retração de 13,1%, seguido por Mato Grosso (-9,6%) e Rondônia (-3,8%).

Nota metodológica

O estudo se baseia nas informações da Pesquisa Anual de Serviços, mediante dados atualizados com as variações da Pesquisa Mensal de Serviços, ambas do IBGE. Os valores são corrigidos mensalmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e foram escolhidas as atividades que têm relação total ou parcial com o turismo. Para as que têm relação parcial, foram utilizados dados de emprego ou de entidades específicas para realizar uma aproximação da participação do setor no total.

Em relação aos dados regionais, a base continua sendo a PAS, mas foi adotado um procedimento estatístico distinto, de uso da proporcionalidade nacional, para encontrar a receita das atividades nos Estados e, na sequência, uma estimativa setorial para se chegar na receita operacional líquida. Embora foram feitas estimativas segmentadas, a divulgação ficará restrita ao total, pois o objetivo é obter uma dimensão geral do setor e acompanhar o desempenho mensal. A correção monetária é feita pelo IPCA, e não pelo índice específico, tal como ocorre no volume de serviços, no IBGE.

O total do faturamento das UFs não coincide com o total nacional do levantamento da FecomercioSP, por não contabilizar o setor aéreo. Pelo fato de não haver clareza sobre como o instituto trabalha o dado de transporte aéreo de passageiro, optou-se por não usar neste momento. Quando houver uma indicação mais clara, haverá, certamente, uma atualização.

 

https://www.fecomercio.com.br/

 

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