24 de maio, 2022

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Mistura de inflação com desemprego

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

De recorde em recorde, a inflação inferniza cada vez mais o trabalhador e sua família, enquanto os sócios do poder usam dinheiro público para seus objetivos particulares, devastam as finanças oficiais, desarranjam a economia e agravam os desajustes inflacionários. Um novo marco foi registrado em abril, quando os preços ao consumidor subiram 1,06%, a maior taxa para o mês desde 1996, quando a variação chegou a 1,26%. Os R$ 13,1 bilhões do orçamento secreto negociados com prefeitos de vários Estados são parte dessa baderna financeira, assim como os R$ 82,3 bilhões de bondades eleitorais já previstos como legado sinistro para o próximo governo.

A farra vai continuar, se depender do Centrão e do presidente Jair Bolsonaro. Em discussão no Congresso, o projeto de construção de uma rede de gasodutos poderá comprometer R$ 100 bilhões nos próximos anos, numa iniciativa contestada pelo Ministério da Economia. Diante dessa desordem financeira e administrativa, investidores se desviam do Brasil, dólares são mandados para fora, o câmbio se torna instável, a insegurança contamina os mercados e os preços se desarranjam.

A inflação é problema global, agravado em 2020 pela pandemia e realimentado, neste ano, pela guerra na Ucrânia e pelo novo surto de covid na China. Mas a alta de preços no Brasil, de 12,13% nos 12 meses até abril, é muito mais intensa que a observada na maior parte dos países emergentes e avançados. Nos Estados Unidos, a grande potência mais afetada por esse problema, os preços aumentaram 0,3% em abril e 8,3% em 12 meses. Mas esse desajuste reflete principalmente os bem-sucedidos estímulos à recuperação econômica depois do choque da covid. O desemprego americano ficou em 3,6% no mês passado. No Brasil, o último cálculo, referente ao primeiro trimestre, mostrou desocupação de 11,1% da força de trabalho.

O desarranjo brasileiro, especialmente perverso, combina alta inflação com ocupação escassa. Quem consegue algum ganho logo vê seu dinheirinho sumir, corroído pelo custo de vida. A situação é mais sombria quando a inflação é puxada por preços de itens essenciais. Nos Estados Unidos o desemprego caiu e a inflação subiu; no Brasil, os preços dispararam com a economia emperrada.

Em abril, o item alimentos e bebidas encareceu 2,06% e teve impacto de 0,43 ponto na formação do índice geral. O componente transportes, com alta de 1,91%, teve peso de 0,42 ponto de porcentagem no cálculo final. Dois itens essenciais, portanto, produziram cerca de 80% da variação total de 1,06%.

Essa pressão perversa já se acumula há pelo menos um ano. Em 12 meses o grupo alimentação e bebidas ficou 13,47% mais caro. O custo do grupo transportes subiu 19,70%. No grupo habitação, os preços dos combustíveis domésticos (basicamente, gás) aumentaram 32,49%. As tarifas de eletricidade se elevaram 20,52%. Sobrou para o Banco Central a tarefa de tentar, com a alta de juros, conter o surto inflacionário, enquanto o presidente da República e o Centrão se esbaldam na farra eleitoreira.

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