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Religião e política

Urna eletrônica; o eleitor só deve satisfação à sua própria consciência – Diego Herculano – 26.set.16/Folhapress

Discurso religioso na política traz o risco de radicalização

 

22.ago.2018

Religião e política se misturam no Estado laico? Até certo ponto, isso é inevitável, como bem observou meu amigo Joel Pinheiro da Fonseca. Se estamos falando de um regime democrático, não há como impedir que o cidadão vote segundo critérios e valores ditados por sua fé. O eleitor só deve satisfação à sua própria consciência.

Embora a legislação eleitoral esboce algumas restrições, na prática não há nem mesmo como evitar que clérigos em geral e pastores em particular tentem capturar os votos de seus rebanhos para o candidato de sua preferência. Tudo isso é do jogo.

O que me preocupa quando o discurso religioso entra na política é que ele traz o risco de radicalização. Religiões frequentemente operam com conceitos absolutos. Se as Escrituras dizem que o aborto e o homossexualismo são pecado, como podem simples mortais duvidar da palavra imutável de Deus? Não discuto aqui a interpretação dos textos sagrados.

A lógica espiritual, ao introduzir absolutos morais, em alguma medida nega a própria política, que pode ser descrita como a arte da pacificação de conflitos por meio de negociações. Enquanto a lei positiva se justifica apenas por sua racionalidade, comporta gradações e pode ser objeto de soluções de compromisso, a lei divina se sustenta na noção de pecado, sempre definido por uma autoridade incontestável, e, por isso, assume a forma de pacotes inegociáveis.

Não estou afirmando aqui que todos aqueles que professam alguma fé estão fadados a comportar-se como fanáticos. Felizmente, a maioria das pessoas não leva a lógica religiosa às últimas consequências —e é isso o que torna possível a vida em sociedades multiculturais. Mas é inegável que um discurso que recorre a imperativos absolutos aumenta o risco de radicalização.

Esse é um problema para o qual não existe solução teórica. A democracia só sobrevive se as pessoas forem relativamente relapsas em sua religiosidade.

Hélio Schwartsman

Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de “Pensando Bem…”.

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2018/08/religiao-e-politica.shtml

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