16 de abril, 2024

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Sete em dez empresas têm programas de inclusão a PCD no Brasil

Por Leo Branco

 

Quase sete em dez empresas brasileiras possuem alguma política de contratação de profissionais com algum tipo de deficiência – chamados de PCD. Divulgada nesta segunda-feira, 21, o dia nacional de luta da pessoa com deficiência, a pesquisa realizada pela consultoria de recursos humanos Talenses Group mostra, contudo, uma presença desigual desse tipo de profissional no ambiente corporativo.

Segundo a pesquisa, 69% das empresas entrevistadas buscam incluir PCD nos seus negócios. O dado, no entanto, esconde um problema: há pouquíssimos profissionais desse tipo em cargos de liderança nas empresas. De acordo com dados coletados com 104 executivos de recursos humanos em grandes empresas brasileiras, de todas as regiões, 84% afirmaram ter mão de obra PCD em cargos de assistentes e 63% em cargos de analistas.

Apenas 37% relataram ter pessoas com deficiência em cargos de coordenação, considerados de gerência média. Só 5% dos entrevistados relatou ter diretores nesta condição. A fatia de presidentes ou vice-presidentes PCDs foi inferior a 1%.

Para Rodrigo Vianna, presidente da Mappit, empresa do Talenses Group especializada em recrutamento para início de carreira, a presença de PCD em coordenação surpreendeu positivamente. “Somos procurados com frequência para conduzir projetos de inclusão de PCD com foco em posições de base e o nosso grande desafio é ir na contramão e trabalhar posições em cargos sêniores e de gestão, onde está a principal escassez de profissionais disponíveis no mercado”, diz.

Nos motivos alegados pelas empresas com programas de inclusão de mão de obra com deficiência está, em primeiro lugar, a intenção de seguir à risca a Lei de Cotas, legislação federal de 1991 sobre o tema. Segundo a lei, empresas com mais de 100 funcionários devem ter ao menos 2% do quadro formado por PCD. Em empresas com mais de 1.000 funcionários, ao menos 5% deles devem ter essa condição.

“Na prática, o que vemos é que diversas empresas possuem uma grande dificuldade na contratação de PCD, sendo que a principal delas é encontrar gente qualificada no mercado de trabalho”, diz Daniela Yuassa, advogada trabalhista do Stocche Forbes Advogados. “Entretanto, como há forte fiscalização por parte do Secretaria Especial de Previdência e Trabalho (antigo Ministério do Trabalho), bem como com o crescente número de empresas e ONGs que tem como objetivo fornecer mão-de-obra PCD qualificada, o que se vê hoje é um atendimento maior ao cumprimento da cota pelas empresas.”

Entre os maiores desafios para a inclusão de PCD nas empresas são, de acordo com a pesquisa, a falta de capacitação de profissionais (65% do total de entrevistados), adaptação da estrutura da empresa para receber PCD (40%), maior lentidão no processo seletivo em relação ao processo seletivo de candidatos (as) em geral (38%), falta de apoio da liderança à causa (30%), adaptação na cultura da empresa para receber esses profissionais (26%), alto custo no auxílio que esses profissionais necessitam (7%).

Para Leonardo Freitas, presidente da Hayman-Woodward, consultoria especializada em mobilidade global e em carreira, as dificuldades alegadas para inclusão desses profissionais não param em pé. “Atualmente, o ensino e treinamento não requerem quaisquer tipos de diferenciação e dificuldade. É preciso oferecer treinamento a um profissional PCD”, diz Freitas, lembrando que consumidores estão mais atentos às questões sociais ao comprar serviços e produtos.

“Elas não pensam apenas no bem que adquirem, mas também na capacidade de tais empresas estarem em conformidade com aspectos como a biodiversidade, a pluralidade e igualdade de gêneros, raças e credos. Por isso, a importância de um time diverso”, diz.

Para além dos motivos expostos na pesquisa para a dificuldade das empresas em contratar PCD, há também a percepção de que Benefício de Prestação Continuada (BCP), auxílio dado pelo governo a pessoas com deficiência, podem reduzir o apetite para emprego.

“O BCP é a garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção, nem de tê-la provida por sua família, que fica suspenso quando a pessoa com deficiência começa a trabalhar”, diz Ana Luiza Nogueira, advogada associada da equipe trabalhista do Santos Neto Advogados.

“Mesmo havendo o restabelecimento do benefício após a finalização do contrato de trabalho, a depender do salário oferecido pelas empresas não “compensaria” optar pela vaga de emprego.”

Para Juliana Amarante, advogada trabalhista do escritório Souza, Mello e Torres, faltam políticas públicas para aumentar a contratação de PCD nas empresas. “O Estado ainda está longe de implementar programas e medidas para viabilizar de fato o acesso dessas pessoas ao mercado de trabalho”, diz Juliana. “E aqui, estamos falando em todos os aspectos: desde os culturais, com a conscientização/educação da população e da sociedade no respeito das diferenças, no afastamento de preconceitos e na integração social adequada do PCD no ambiente profissional, como também de acessibilidade.”

https://exame.com/carreira/sete-em-dez-empresas-tem-programas-de-inclusao-a-pcds-no-brasil/

Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (PCD), celebrado em 21 de setembro: há pouquíssimos PCDs em cargos de liderança e muitos na base das empresas (i_gallagher via Photopin/Divulgação)

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