A principal preocupação do SINCOVAGA, no debate sobre o eventual fim da escala 6×1, está no impacto direto sobre os pequenos empresários do setor supermercadista e do varejo de gêneros alimentícios.
Pequenos mercados, mercearias, hortifrutis, minimercados e supermercados de bairro funcionam com equipes reduzidas, margens apertadas e pouca capacidade de absorver novos custos. Nesses estabelecimentos, a ausência de um único funcionário já pode comprometer o atendimento, a reposição, o caixa, o estoque e a rotina operacional.
A redução da jornada, se implementada sem transição adequada, poderá obrigar o empresário a contratar mais funcionários apenas para manter o mesmo horário de funcionamento. Esse aumento de pessoal não decorrerá de crescimento da empresa, mas de imposição de custo para preservar a operação atual.
O problema é especialmente grave porque a nova contratação envolve muito mais do que salário. Há encargos, benefícios, treinamento, substituições em férias, afastamentos e reorganização de escalas. Para o pequeno empresário, esse conjunto de despesas pode comprometer a margem, reduzir a competitividade e até inviabilizar a continuidade do negócio.
Também não é simples repassar esse custo ao consumidor. O varejo alimentar trabalha com produtos essenciais, forte concorrência e consumidores sensíveis a preço. Se o pequeno empresário aumenta preços, pode perder clientes. Se absorve o custo, perde margem. Se reduz o horário de funcionamento, perde faturamento.
Por isso, o fim da escala 6×1 não pode ser tratado como medida uniforme para todos os setores e todos os portes de empresa. A realidade do pequeno comércio é diferente da realidade das grandes redes. Sem critérios de transição, proporcionalidade e compensação, a mudança pode atingir justamente quem mais depende de previsibilidade para continuar empregando e abastecendo a população.
O SINCOVAGA entende que a discussão sobre jornada de trabalho é legítima, mas alerta que qualquer alteração precisa considerar, antes de tudo, o aumento do custo para o pequeno empresário. Sem esse cuidado, a medida poderá gerar fechamento de estabelecimentos, redução de empregos, aumento de preços e enfraquecimento da economia local.
Como adendo indispensável, esse debate também precisa vir acompanhado da urgente revisão das faixas e dos limites do Simples Nacional, hoje pressionados por defasagem econômica e inflação acumulada. Pequenas empresas já enfrentam aumento de custos operacionais, trabalhistas e tributários, e a ausência de atualização proporcional desses parâmetros pode agravar ainda mais sua dificuldade de crescer, manter competitividade e preservar empregos formais. Sem corrigir esse desequilíbrio, o pequeno empreendedor continuará arcando com carga cada vez mais pesada, justamente no momento em que mais precisa de fôlego para sobreviver.