Alvaro Furtado (*)
O ano de 2026 será um dos mais importantes da história recente do Brasil.
Teremos eleições gerais, com pleitos para presidente da República, governadores, dois terços do Senado, deputados federais e estaduais.
Será o momento em que o País decide seus rumos − e, infelizmente, também o período em que promessas vazias e discursos desconectados da realidade costumam ganhar espaço.
Representando milhares de empresas, na condição de presidente do SINCOVAGA, não devo nem posso me calar diante da forma como parte substancial do Legislativo vem tratando temas fundamentais para o desenvolvimento do País.
Falta seriedade, falta diálogo com quem produz e movimenta a economia. As prioridades têm sido emendas que deveriam beneficiar municípios, entidades e obras.
Assiste-se a um festival de denúncias, desvios e, enfim, corrupção, como afirmado e combatido pela Justiça.
O Brasil −e o setor produtivo − seguem pagando a conta.
Em 2026, teremos também a Copa do Mundo de Futebol, tradicionalmente acompanhada por uma sequência de feriados e emendas.
Se, para muitos, é motivo de comemoração, para quem mantém as portas abertas diariamente, gera empregos e garante o abastecimento de produtos essenciais à população, trata-se de mais um enorme desafio operacional: jornadas desorganizadas, queda de produtividade, crescimento de custos e dificuldades na gestão de equipes.
Apesar de tudo isso, o varejo segue firme, adaptando-se, planejando e cumprindo seu relevante papel social.
O debate e as definições sobre a redução da jornada são temas que exigem a máxima atenção. Há uma PEC no Senado e projetos na Câmara que tratam do assunto sem avaliar a amplitude de seus efeitos, priorizando, muitas vezes, ganhos eleitorais no pleito de outubro.
Reduzir jornada sem discutir produtividade, custos, realidades regionais, porte das empresas e impacto nos preços é uma irresponsabilidade.
No varejo de alimentos − setor essencial, que não pode parar − qualquer mudança mal planejada pode significar fechamento de lojas, demissões e aumento do custo de vida para a população.
Será que a qualidade de vida deve ser conquistada à custa da destruição de empregos?
Defendemos, sim, melhores condições de trabalho. Defendemos equilíbrio. Defendemos diálogo. Não aceitamos o simples “populismo legislativo”.
Enquanto o Parlamento − que só passará a funcionar efetivamente após as festividades de Carnaval − não discute, o setor privado já está fazendo a sua parte.
Empresas vêm adotando a jornada 5×2, mantendo as 44 horas semanais, organizando melhor o tempo, valorizando o colaborador e gerando ganhos comprovados na captação de mão de obra.
Isso é modernização real. É responsabilidade social e, principalmente, compromisso com o futuro.
Não veio por imposição legal, mas por negociação, maturidade e boa gestão. É exatamente esse caminho que defendemos.
O SINCOVAGA continuará atuando de forma firme, técnica e independente. Não somos contra trabalhadores; somos contra decisões inconsequentes.
Não somos contra avanços; somos contra retrocessos disfarçados de progresso.
Em 2026, o Brasil precisará escolher entre o discurso fácil e sedutor e a responsabilidade; entre o improviso e o planejamento; entre o populismo fácil e o desenvolvimento.
O varejo de alimentos seguirá cumprindo seu papel: gerando empregos, garantindo o abastecimento, sustentando a economia e servindo à população, mesmo diante das dificuldades.
Mas é fundamental que o Poder Público faça a sua parte. Chega de empurrar a conta para quem trabalha e empreende.
Sobretudo, precisamos de um Legislativo comprometido com o Brasil real − com quem acorda cedo, trabalha, paga impostos, investe e sustenta este País.
Essa é a posição do SINCOVAGA.
Essa é a minha posição.
Alvaro Furtado é presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga).