As recentes tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã e rotas estratégicas de petróleo, deixaram de ser um risco distante e já impactam diretamente a economia brasileira. O agravamento do cenário nos últimos dias provocou reação imediata nos mercados internacionais, com elevação nas cotações do petróleo e aumento das expectativas de reajustes nos combustíveis.
Para o varejo de gêneros alimentícios, os efeitos são concretos e rápidos. O diesel, principal insumo logístico do setor, já opera sob pressão de alta, elevando o custo do transporte e impactando toda a cadeia de abastecimento.
Distribuidores e fornecedores começam a repassar reajustes, o que comprime margens e impõe a necessidade de revisão quase imediata dos preços ao consumidor.
Dados recentes indicam que o diesel representa cerca de 35% a 40% do custo logístico no Brasil, o que torna o setor especialmente sensível a oscilações externas. Além disso, o país ainda depende significativamente da importação de derivados de petróleo, o que amplifica os efeitos de crises geopolíticas sobre os preços internos.
Esse ambiente também compromete a trajetória de queda da taxa de juros. Com maior pressão inflacionária vinda dos combustíveis e do transporte, o Banco Central tende a adotar uma postura mais cautelosa, prolongando o ciclo de crédito caro. Isso impacta diretamente o consumo das famílias, que já demonstra sinais de desaceleração diante do endividamento elevado e da perda de poder de compra.
O recado para o varejo é claro: o aumento de custos já está em curso − não se trata de uma projeção futura. A reação precisa ser imediata e estratégica. É fundamental ajustar níveis de estoque, revisar contratos e despesas operacionais, renegociar com fornecedores e, principalmente, reforçar a competitividade em preço em um cenário de consumidor mais sensível e seletivo.
Ao mesmo tempo, ganha relevância a eficiência operacional e o uso mais inteligente de dados para tomada de decisão. Empresas que conseguirem agir com rapidez e disciplina terão maior capacidade de preservar margens e manter sua posição no mercado.
O SINCOVAGA segue acompanhando atentamente os desdobramentos desse cenário e reforça ao setor: momentos de instabilidade exigem gestão rigorosa, agilidade nas decisões e foco absoluto na sustentabilidade do negócio.
Por Alvaro Furtado, presidente do SINCOVAGA
MAR/26