15 de julho, 2024

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PIX eleva em 15% PIB per capita, destaca diretor do BC

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Dias Gomes, destacou em evento promovido pela Zetta os resultados de uma pesquisa sobre o efeito do Pix no sistema financeiro do Brasil.

No estudo “Sistemas de Pagamento Instantâneo e Competição por Depósitos”, o pesquisador Sergey Sarkisyan mostrou que a introdução do Pix aumentou a fatia de depósitos em pequenos bancos em relação aos grandes bancos e ajudou a reduzir os juros bancários.

Gomes ressaltou a parte da pesquisa que mostra que a existência do Pix representa um depósito de “bem-estar” de US$ 380 por trimestre, o que significa um aumento de 15% no Produto Interno Bruto (PIB) per capita do País.

“É realmente fascinante. Esse montante aumenta o PIB per capita do Brasil em 15%”, destacou. “Eu realmente espero que os políticos ouçam isso quando vão decidir o orçamento do BC. É realmente um número fantástico”, disse, em tom de brincadeira, afirmando que o estudo demonstra o efeito causal entre o Pix e o aumento da competição bancária.

Segundo o diretor do BC, o Pix foi uma importante marca para o aumento da competição no sistema financeiro do Brasil, ao permitir a digitalização dos pagamentos entre consumidores e reduzir a importância do dinheiro em papel. “Agora, os consumidores têm a clara possibilidade de escolher para além dos grandes bancos.”

MOTIVOS DO SUCESSO 

Dias Gomes afirmou que uma variedade de fatores ajudou a impulsionar o uso do Pix, que continua em ascensão. Entre os fatores, Gomes citou a padronização, a obrigatoriedade de participação dos maiores bancos, a gratuidade, a variedade de usos, além do momento de lançamento, na pandemia de covid-19.

No caso da padronização, Gomes disse que as instituições tiveram que oferecer Pix de forma semelhante para que os consumidores entendessem que era o mesmo produto. “A padronização ajuda a commoditizar os sistemas de pagamentos mais rápidos”, disse Gomes em evento promovido pela Zetta.

Em relação aos casos de uso, ele citou a possibilidade de utilização por chave, QR Code, “Copia e Cola” ou mesmo na própria loja. “Variedade de usos fez com que o Pix se tornasse uma escolha natural”, avaliou o diretor.

Na perspectiva regulatória, foi importante para evitar questões de competição entre as instituições financeiras que fosse obrigatória a participação de instituições com mais de 100 mil contas, segundo Gomes. Ao mesmo tempo, a possibilidade de instituições financeiras pequenas participarem foi um fundamento para que o Pix estivesse em todos os lugares.

Além disso, a gratuidade para indivíduos foi um valor importante. “Tão barato quanto dinheiro, mas muito melhor. Por fim, o Pix chegou em um momento oportuno e ajudou o brasileiro na época da pandemia de covid-19”, disse, sobre o lançamento em novembro de 2020.

O economista-chefe para as Américas no Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), Jon Frost, reforçou que a obrigatoriedade de participação e a presença de instituições não bancárias são fatores que explicam a rápida adoção do Pix em relação a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países.

O Fednow, sistema criado pelo Federal Rerserve, o BC dos EUA, por exemplo só é permitido para bancos e não é obrigatório. Frost também citou a operação do sistema pelo BC brasileiro e o sucesso do “branding” da ferramenta local.

Estadão Conteúdo

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